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22-08-2014
Na última coluna do Lendas & Assombrações, Milton Pozzo Conta a História da Mão Negra

História encerra séria de colunas de causos de assombrações.


Divulgação

Tenho contado aqui na coluna, causos de assombrações tidos como verídicos porque assim me foram repassados, não foram imaginados por mim, embora não tenha testemunhado nenhuma das ocorrências pessoalmente.

Procurei em meus relatos, manter a originalidade de cada manifestação, em conformidade com a narrativa que me foi repassada.

Sendo assim, estão esgotados os meus causos de assombrações, aparições, visagens e ocorrências além da imaginação.

Talvez possamos nos reencontrar em breve, em nova coluna tendo como tema COISAS CAIPIRAS.

Por enquanto estamos em fase de análise. No momento, deixo meu abraço a quem dispensou atenção para nossa coluna, esperando ter agradado.

Acontece que as assombrações estão em extinção, pouco se ouve falar atualmente, sucumbiram diante da luz elétrica, da lanterna de pilhas e do automóvel. São poucas as pessoas que se locomovem a noite, montadas a cavalo ou mesmo caminhando, em completa escuridão, sem portar um instrumento de iluminação.

Os vultos, silhuetas fantasmagóricas e ruídos aterrorizantes, diante da luz, deixam de serem assustadores, porque na maioria das ocorrências são apenas reflexo do medo.

Não se ouve mais os punhados de terra atirados sobre a coberta de tabuinhas, tido como prenúncio de morte de alguém próximo.

Os telhados de hoje, mais o forro, absorvem todos os ruídos menos intensos. Até mesmo a rasga mortalha deixou de aparecer na boca da noite, com seu farfalhar imitando pano rasgado.

As visagens apenas desapareceram, não poderiam ter morrido, porque já estavam mortas...

Como despedida, vou lhes contar um causo que ouvi quando ainda era menino, muito corajoso durante o dia, muito temeroso durante a noite.

Poucas eram as casas que possuíam luz elétrica, geralmente muito fraca e amarelada, mesmo quando produzida por usina hidrelétrica, porque era costume alguns postos de combustível e serrarias ceder para algumas casas, por algumas horas, parte da energia que era produzida por seus geradores.

A iluminação no sitio, em sua totalidade, era produzida por velas e lampiões a querosene, só mais tarde surgiram os lampiões Aladim e “liquinhos”, que foi um grande avanço, com a utilização das “camisas” incandescentes.

Então, aquela era uma casa tranqüila, a família estava reunida para o jantar, no centro da mesa uma vela de parmacete, como se falava na época, em cima do armário, num ponto mais elevado, para melhor espalhar a luminosidade, uma vela artesanal, produzida com cera de abelhas, também estava acesa.

A família numerosa e feliz tagarelava alegremente.

O jantar precisava ter sustância, porque o serviço era pesado. Além do costumeiro, revirado de feijão, tinha torresmo, rabanada, bolinho da graxa, polenta frita e leite com farinha de biju. Não se espante, o organismo das pessoas, o estômago especialmente, não estranhava a “comida pesada”, que fazia parte da alimentação diária.

Todos se calaram repentinamente quando ouviram uma espécie de grunhido vindo de fora.

Em seguida um calafrio percorreu a corrente sanguínea de adultos e crianças, um frio congelante tinha se instalado repentinamente. Foi quando a mão negra apareceu, atravessou a porta e flutuando até a vela branca em cima da mesa, juntou o pavio entre os dedos polegar e indicador, apagando a chama instantaneamente.

O pavor se instalou, a gritaria se generalizou.

O pai, tentou manter o controle até que a vela do alto também foi apagada pela mão negra.

A debandada foi geral, naquela noite a família foi abrigada por vizinhos, ninguém se atreveu a conferir se tudo estava em ordem.

Apenas no dia seguinte, depois de benzimentos, reza do terço no local, promessa de mesada de anjo e galhos de arruda no topo de portas e janelas, foi que a família retornou.

As primeiras noites após a ocorrência foram de muito medo, mas a mão negra não reapareceu e tudo voltou ao normal.

Nunca se soube a razão, de onde viera ou porque teria vindo aquela “esfumaçante” mão preta.

Também nunca soube que tivesse voltado, mesmo em outro lugar.

Que não volte mesmo!

Por Milton Pozzo





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